Violência de gênero nas redes sociais


 

Violência de Gênero nas Redes Sociais: Não é “Só Internet”

Entenda como a violência de gênero nas redes sociais afeta milhares de pessoas todos os dias

Por: Miguel Arthur e Gustavo Felipe, 15 de Maio de 2026.

Hoje em dia, abrir uma rede social já virou parte da rotina. A gente entra para ver vídeos, dar risada com memes, acompanhar a vida dos outros ou até dar opiniões sobre algum assunto. Só que, no meio disso tudo, existe uma realidade que muita gente conhece bem e que nem sempre é levada a sério: a violência de gênero nas redes sociais.

Basta prestar um pouco de atenção. Quando uma mulher posta um vídeo ou comenta algo, em questão de minutos começam a aparecer respostas ofensivas. E não é apenas discordância, o que seria normal. Muitas vezes são ataques mesmo: xingamentos, comentários sobre o corpo, insinuações e tentativas de diminuir ou humilhar. Em casos mais graves, chegam mensagens privadas com ameaças ou até exposição de fotos íntimas sem autorização.

E aí vem aquela frase que muita gente repete: “Ah, mas é só internet, é só ignorar”. Só que não é tão simples assim. Quem passa por isso sente o impacto emocional. Fica na cabeça, gera medo e insegurança, faz a pessoa pensar duas vezes antes de postar qualquer coisa. Tem gente que começa a se vigiar o tempo todo e outras pessoas simplesmente desaparecem das redes sociais.

Dados sobre Violência de Gênero nas Redes Sociais

           Fonte: Conteúdo gerado por IA.

1. 8,8 milhões de brasileiras sofreram violência digital

Uma pesquisa do Instituto Avon e Datafolha (2024) mostrou que cerca de 8,8 milhões de mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência nas redes sociais ou pela internet nos últimos 12 meses. Isso representa aproximadamente 1 em cada 10 mulheres com mais de 16 anos.

2. 3 em cada 4 mulheres já sofreram assédio online

Segundo levantamento da organização internacional ONU Mulheres, aproximadamente 75% das mulheres já passaram por algum tipo de violência ou assédio em ambientes digitais.

3. Jovens são as principais vítimas

Adolescentes e mulheres entre 16 e 29 anos estão entre os grupos mais afetados, principalmente em plataformas como Instagram e X (Twitter).

4. Tipos mais comuns de violência digital

Os casos mais frequentes incluem:

1.     Comentários ofensivos ou machistas;

2.     Envio de mensagens ameaçadoras;

3.     Divulgação de fotos íntimas sem consentimento;

4.     Perseguição virtual (cyberstalking);

5.     Criação de perfis falsos para humilhar ou atacar.

5. Impactos na saúde mental

Pesquisas mostram que vítimas de violência digital podem desenvolver:

1.     Ansiedade;

2.     Baixa autoestima;

3.     Medo de se expressar online;

4.     Isolamento social;

5.     Depressão, em casos mais graves.

Uma das coisas que ajudam esse tipo de comportamento é o fato de que, na internet, muita gente acha que pode tudo. Atrás de uma tela, com um perfil que às vezes nem mostra quem a pessoa realmente é, fica fácil dizer coisas que não seriam ditas cara a cara. Parece faltar a noção de que existe alguém real do outro lado.

Mas também não dá para fingir que isso surgiu do nada. Esse tipo de violência já existe fora da internet há muito tempo. O machismo, por exemplo, continua muito presente na sociedade. A diferença é que, nas redes sociais, tudo ganha mais alcance. Um comentário ofensivo que antes ficaria entre poucas pessoas hoje pode ser visto por milhares em segundos.

E não acontece apenas com pessoas famosas. Claro que influenciadoras e figuras públicas acabam recebendo mais ataques por causa da visibilidade, mas qualquer pessoa pode passar por isso. Às vezes, uma postagem simples já vira motivo para alguém atacar.

O problema é que isso vai se acumulando. Pode parecer “só um comentário”, mas, quando vem um atrás do outro, o impacto se torna muito maior. A pessoa começa a se sentir mal, perde a confiança e fica mais retraída. Em alguns casos, isso pode afetar seriamente a saúde mental.

Existe ainda outro ponto importante: quando muitas pessoas são atacadas dessa forma, acabam ficando em silêncio. E, quando isso acontece, as redes sociais deixam de ser um espaço de troca de ideias e passam a ser um lugar onde apenas alguns se sentem à vontade para falar.

Claro que já existem tentativas de melhorar essa situação. As plataformas possuem ferramentas para denunciar, bloquear e filtrar comentários. Porém, nem sempre funcionam como deveriam. Às vezes, as respostas demoram ou simplesmente não resolvem o problema.

Por isso, não dá para colocar toda a responsabilidade apenas nas plataformas digitais. Quem usa a internet também tem um papel importante nisso. Atitudes simples já ajudam: pensar antes de comentar, não compartilhar conteúdos ofensivos, denunciar quem ultrapassa os limites e apoiar quem está sendo atacado.

Falar sobre o assunto também faz diferença. Quanto mais as pessoas discutirem e mostrarem que isso não é normal, mais difícil será ignorar o problema.

No fim das contas, a internet não é um mundo separado da realidade. O que acontece ali afeta diretamente a vida das pessoas. Por isso, tratar os outros com respeito nas redes sociais não deveria ser algo opcional, mas o básico.

Porque, no final, por trás de cada perfil existe uma pessoa de verdade. E ninguém merece entrar na internet um espaço que deveria servir para distração ou expressão e acabar saindo de lá se sentindo pior.

 

 

 

 


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