O Preço da Perfeição: Até Onde Vai a Pressão Estética Antes de Virar Doença?

O impacto invisível da cultura do “corpo perfeito” na mente de uma geração que adoeceu tentando parecer impecável

Por: Maria Vitória Sant’ Anna Nascimento e Sara Cristina Paiva de Souza, 15 de maio de 2026

Desde épocas antigas até a atual modernidade, muito se fala com relação ao contexto de padrões de beleza e estética, que são tidos como um modelo ideal de se ser e viver, impondo regras e modos sobre como seria a forma correta de se portar. Tais padrões são impostos tanto pela própria sociedade, quanto pela mídia, apelando para o lado dos procedimentos estéticos que na maioria dos casos, ocasiona em resultados contraditórios e sem volta, já que boa parte da população sendo leiga, acredita que autoestima seria frequentar uma academia e passar por tais procedimentos, sem pensar que autoestima seria na verdade, o “estar bem” consigo.

Esses padrões tem inicio na pré-história, onde ter certo tipo de físico significava “saúde”, as principais características sendo corpos volumosos e robustos que ligavam diretamente a sobrevivência, fertilidade e abundancia, pois era um período onde a escassez estava muito presente e isso demonstrava que havia mais saúde nessa forma, pois representava que mesmo diante de tal situação isso não havia interferido em sua vida.

O padrão de que corpos robustos demonstrava saúde também foi aplicado durante a era renascentista, mas com algumas diferenças, as mulheres ideais frequentemente retratadas em obras artísticas eram comumente de pele muito clara, testa alta e arredondada, cabelos loiro-dourados, bochechas rosadas e formas voluptuosas, essas características sendo muito relacionadas a fertilidade e riqueza.

Esse padrão de corpos se estendeu ao longo dos séculos e regiões, um dos símbolos dessa época foi a Princesa Persa, Zahra Khanom Tadj es-Saltaneh (1883-1936), que durante o final do século XIX e o início do século XX, era considerada um símbolo de beleza, nesse período as mulheres utilizavam de rímel para dar mais destaque a suas sobrancelhas e bigodes, enquanto os homens buscavam ser magros e delicados. O que atualmente seria algo completamente utópico e fora do padrão do momento, que é caracterizado pelo completo oposto dessas características, tendo mulheres com corpos magros e feições mais delicadas, enquanto os homens evitam parecer delicados.

Essas pressões estéticas nunca pararam de se fazer presente, mudando de acordo com a economia ou com a cultura, nos dias atuais ela é muito propagada em meios online, como redes sociais, onde promovidas por meio de influencers acabam por fazer com que seus seguidores acabem tendo tudo o que é dito como se fosse verídico, isso muitas vezes leva à adquirirem produtos que não são necessários ou realizarem procedimentos de forma excessiva, esquecendo a diferença entre o modo de vida do consumidor para quem promove o produto.

 

A pandemia foi um grande agravante dessa situação, pois devido ao isolamento as pessoas começaram a consumir a mídia na internet de forma desenfreada, isso junto com a vulnerabilidade do momento as tornou mais suscetíveis a serem influenciadas, pois os fatores pessoais afetam a forma que decisões são tomadas, tanto de forma positiva quanto negativa, isso fez com que várias pessoas começassem a utilizar filtros com mais frequência, incentivando formas de fazerem com que as pessoas criassem o hábito de criarem uma imagem que as vezes fugia da realidade para poderem se encaixar.

A realização de procedimentos estéticos vem se tornando cada vez mais frequente no Brasil, algo que é muito promovido principalmente entre os jovens, que entre 18 a 34 anos são os lideres de endividamento, com 52% estando com alguma dívida por conta desses procedimentos, isso demonstra que há um grande problema sendo criado por conta dessa situação onde os jovens muitas vezes não consideram sua renda antes de fazer algo do gênero. Muitas vezes também buscam por procedimentos mais baratos que às vezes são realizados de forma clandestina e acabam por prejudicar a saúde de forma irreversível, podendo até mesmo levar a morte (Morte em clínica de estética em SP: veja o que disse marido de empresária | CNN Brasil).

Por mais que os números indiquem que as mulheres são as que mais sofrem com esse tipo de pressão, os homens também são dados como alvos, principalmente por movimentos que são muitas vezes incitados por meios socias e através das mídias, como por exemplo o looksmaxing, que é uma subcultura que engloba práticas saudáveis e até métodos extremos que buscam se adequar aos padrões baseados em traços hipermasculinos, que também leva ao consumo de esteroides anabolizantes que oferecem um risco grave a saúde e são proibidos Anvisa e pela Lei n°9965 (27/04/2000) para fins de comercialização e uso. Tais subculturas, além de muitas vezes pressionar seu público, acaba criando um certo tipo de “persona”, que em conjunto, cria um processo de obsessão desgovernada, que para um futuro mais à frente, poderá ocasionar em doenças psicológicas que possuem um longo tratamento profissional ou com medicamentos, como o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC).

De acordo com o entrevistado, Antony Vitor do Nascimento Reis, graduado em Psicologia pela UNIPAC, membro fundador e presidente da Liga Acadêmica de Pesquisa Experimental, Psicologia Cognitiva e Neurociências (LAPPN), com atuação desde 2022. Foi colaborador do Núcleo de Pesquisa, Ensino, Divulgação Cientifica e Extensão em Neurociências (NuPEDEN/UFF) entre 2022/2024, participou da 31º edição do Programa Jovem Cientista, em 2025, e atua como Pesquisador no Centro de Pesquisa em Ecologia, Saúde Pública e Mudanças Climáticas de Minas Gerais (CEPESM), muito se questiona sobre até onde a preocupação com aparência se torna uma obsessão, e psicologicamente, ele disse que “Pra pessoas leigas, a autoestima seria frequentar uma academia e passar por tais procedimentos, sem pensar que autoestima seria na verdade, o “estar bem”, comer bem e viver bem.” E dentro de sua fala Antony reforça que em grande parte de suas consultas, seus pacientes queixam de questões com relação a autoestima por contas da mídia e diz que a melhor forma para combater as mesmas seria evitando, pois infelizmente, não é algo que se possa ser “impedido” de um dia para o outro, já que com os avanços que a globalização vem trazendo, mais visibilidade à tais temas se alavancam, mais pessoas os procuram e por mais etapas de evolução, elas passam.

Também como mencionado pelo mesmo, “Como apontando por uma pesquisa feita em São João Del Rey (MG), cerca de 69,5% das pessoas responderam que as redes sociais afetam elas, enquanto 64,9% reconheciam como eram afetadas psicologicamente pelas redes sociais.”, logo, percebemos que ainda existe um número de pessoas que não percebe à grande influência que as redes exercem sobre suas escolhas pessoais e de identidade.

Para a psicologia, os padrões de beleza são construções sociais e culturais, que frequentemente geram a pressão estética e impacta profundamente o psicológico. Para basear- se em suas análises, a psicologia usa a Teoria da Comparação Social, proposta por Leon Festinger (1954), que em seus relatos diz: As pessoas tendem a comparar a própria aparência com a dos outros, o que intensifica os sentimentos de inadequação e insegurança, junto dela, têm-se também o conceito de objetificação, que mostra a forma que o corpo passa a ser visto como objeto de avaliação e aceitação social, fazendo com que muitos associem sua aparência ao próprio valor pessoal.

Com contexto ético-social, muito se questiona se estamos caminhando para uma sociedade supostamente saudável, ou completamente doente por procedimentos estéticos, mas na realidade estamos vivendo uma considerada dualidade, que caminha para um consumo mais consciente e uma valorização da beleza natural, ao mesmo tempo em que a pressão estética, impulsionada por algoritmos e inovações em procedimentos, atinge novos patamares. No entanto, a tendência dominante é uma busca por “estética consciente”, onde a aparência se alinha à saúde e a identidade pessoal em vez de apenas aos padrões irreais.

Por mais que durante as décadas muito se note a propagação de tais procedimentos de forma negativa, ainda vemos muitas figuras que ao longo da história se empenharam e lutaram para espalhar a mensagem para sermos quem somos e lutarmos contra tais padrões que a sociedade nos impõe, como a atual cantora e atriz Lady Gaga, que na maioria de seus clipes e letras espalha este lembrete de amor próprio, enfatizando com sua famosa frase slogan “ Baby, your born this way!”, que devemos ser quem somos sem medo de sermos julgados e apontados por conta disto.

Para evitar os impactos da pressão estética, é fundamental desenvolver senso crítico em relação aos padrões de beleza impostos pela sociedade e mídias sociais. Valorizar a diversidade corporal, limitar comparações constantes, procurar acompanhamento psicológico, buscar conteúdos que promovam autoestima e bem-estar são atitudes que ajudam a reduzir essa influência no cotidiano. Além disso, o diálogo sobre saúde mental e a compreensão de que aparência não define o valor de uma pessoa são passos importantes para construir relações mais saudáveis consigo mesmo e com os outros em sociedade.

 

Referências:

Morte em clínica de estética em SP: veja o que disse marido de empresária | CNN Brasil

A beleza virou dívida? Jovens adultos recorrem a crédito para bancar procedimentos estéticos - RealTime1

História da Beleza: A Evolução Que Trouxe Novos Comportamentos

Pressão estética pode afetar a saúde mental - Portal Drauzio Varella

Pressão estética, ditadura da beleza e ataques virtuais: o que as críticas ao corpo de Paolla Oliveira - e a reação em defesa da atriz - revelam | G1

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Impacto da Era da Tecnologia nos Jovens: Por que uma Geração Deprimida?

Violência Contra Animais nas Redes

Reputação Online em Perspectiva